Vida Simples? Não é fácil!

      Há muitas referências bibliográficas sugerindo uma busca de maior simplicidade e desapego na vida, principalmente da meia idade em diante. Mas isso é fácil?
Não, definitivamente NÃO é  fácil e parece estar cada vez mais difícil com as novas tecnologias e modernidades exigidas no dia a dia, o que é, de certa forma paradoxal. Vida mais simples se acompanha geralmente de um viver num padrão de vida mais baixo: a pessoa diminui a carga de trabalho ou se aposenta com o intuito de ter mais tempo livre,  para buscar mais saúde e relações interpessoais, para reciclar conhecimentos, novos cursos ou ter tempo para “hobbies”. Com isso fica com menos rendimentos e ela se determina a GASTAR menos.
Mas vejam exemplos do que acontece corriqueiramente: a  pessoa na sua vidinha simples tem um celular antigo, prático,  satisfatório para suas necessidade, mas  que estraga…. Essa pessoa não conseguirá substitui-lo com outro simples, só há para venda celulares cheios de recursos e complexidades, com preços maiores e durabilidade encurtada. Ou a pessoa tem uma TV analógica antiga boa, funcionando e está satisfeita com ela, mas  a antena comum do prédio  ou a conexão na parede tem problemas que são corrigíveis tecnicamente… mas o  pessoal técnico chamado  não se interessa em resolver o problema, se limita a indicar a colocação de conversores ou a  COMPRA de uma nova TV, agora digital! E aquela máquina de lavar roupa  antiga? Graças a alguns técnicos motivados, podemos mantê-la em funcionamento, há manutenção, mas tanto essas máquinas, como refrigeradores mais  novos e outros eletrodomésticos, geralmente duram muito menos. Esses exemplos, celulares, TVs, eletrodomésticos já saem de fábrica,  com inúmeros recursos que a pessoa de vida simplificada nem precisaria aprender a usar ou  precisaria  pagar, mas não se tem opção. É a ditadura do consumismo.
Agora o fatal mesmo é a área digital: livros nas ”nuvens”, formulários oficiais, negativas, inscrições em cursos e concursos, contas, compra de passagens, relacionamento com bancos exigem computadores. E não servem  computadores daqueles antigos que funcionam para enviar emails e ver notícias… esses computadores que rodam “softwares” pesados, com mais segurança nos dados, precisam ser renovados periodicamente, ter seus navegadores e antivírus atualizados… Ah, e não resolve só ter o computador, precisa se ter uma impressora, tinta compatível e talvez até um escaner.
Uma coisa eu já tenho como certa, devemos lutar para proteger a nossa  conquistada simplicidade, lutar contra o consumismo, lutar pela maior simplicidade e melhor funcionamento dos nossos  eletrodomésticos, mas precisamos também lutar para não perdermos a conectividade, precisamos lutar para conseguir acompanhar a evolução tecnológica, quer a queiramos ou não. Quer a aceitemos, ou não. É uma questão de sobrevivência nos dias de hoje.
O famoso biólogo inglês, Charles Darwin, publicou em 1859 no livro ” A Origem das Espécies” sua consagrada teoria, sobre a evolução das espécies. Dizia ele e é aceito pelos biólogos até hoje, que a adaptação é a chave para a sobrevivência. Na luta pela vida, simplificada ou não, os organismos com maior adaptação às exigências do ambiente têm mais chances de sobreviver. E na nessa Era Digital, mesmo sendo simplificados, precisamos estar atualizados na informática, na tecnologia… E lá vou eu para mais uma Pós- Graduação… com aulas em vídeo-conferências, com pesquisa de artigos científicos nas “nuvens “, na busca da famosa “adaptação”

Boa semana, estimados leitores!

Dra. Carmem Helena Snel  crm 13284- RS
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO
Especialista em Acupuntura Médica pelo Colégio Médico de Acupuntura
Especialização em Geriatria pela ULBRA