Violência e sofrimente emocional
Existe hoje em nosso País um aumento assustador das enfermidades mentais desencadeadas por Stress Pós-Traumático (SPT). Na medida em que aumentam os índices de violência, principalmente assaltos, assassinatos e transito, desencadeiam doenças emocionais pela exposição excessiva ao medo e angustia.

Um dado preocupante divulgado pelo IBGE é que 20% da população entre 18 e 20 anos não trabalha, nem estuda. Justamente nesta faixa etária temos mais mortes violentas. Os pais saem para trabalhar e os filhos ficam desassistidos na rua, aumentando o consumo de drogas licitas e ilícitas e também o envolvimento com violência. Calcula-se que na morte de um jovem,  em média 10 pessoas vão entrar  num processo de sofrimento profundo por tempo indeterminado, sendo mais grave para os pais e irmãos. Brizola antigamente já defendia a idéia da escola em turno integral (CIEP) e que até hoje não foi viabilizada.

O SPT é uma resposta retardada e duradoura para uma situação estressante de curta ou longa duração, de natureza excepcionalmente ameaçadora e catastrófica. Provoca sintomas evidentes de perturbação na maioria das pessoas. Pode ser causado por morte violenta, assaltos, transito, situações diárias de tensão. Ficar esperando um filho chegar em casa vivo após sair para rua, medo de  assaltos  e todas estas situações de tensão do mundo de hoje, estão  adoecendo as pessoas.

A situação aguda de violência pode desencadear a tendência genética para enfermidades como depressão, pânico, fobias e abuso de drogas ilícitas e licitas, medicamentos e outras doenças emocionais. Estudos mostram que o brasileiro vive num nível de stress semelhante aos países em guerra civil. Uma das principais reinvindicações nas manifestações de rua em junho de 2013, com nenhuma resposta efetiva até agora, foi conter esta onda violência que estamos vivendo.

O futuro é desolador, pois temos leis pouco rígidas, que estimulam a impunidade. Somos uma sociedade tolerante, dividida entre os espertos e os trouxas que seguem as leis e as regras de convivência social. Precisamos mudar urgentemente e discutir que sociedade queremos, se é esta que esta aí ou outra que precisamos criar. Precisamos mudar, para que Nós, nossos filhos e netos não adoeçam mentalmente.

Dr. Andres Kieling
Psquiatra – CREMERS 15169