Vírus HPV, câncer e vacinas
A inegável globalização mundial dos dias atuais teve reflexo na disseminação de doenças. Diversos estudos indicam que desde a Segunda Guerra Mundial, o vírus HPV espalhou-se pelo planeta de tal forma, que se fala atualmente de uma pandemia. 
 
A infecção pelo vírus HPV é a considerada a doença sexualmente transmissível mais frequente, e sua importância reside no fato de que está associada na gênese de 99% dos cânceres de colo uterino, um câncer frequente e curável de mulheres. A família do vírus HPV é numerosa, nem todos sub-tipos causam câncer e a sua agressividade é variável. Há associação também em 84% dos cânceres anais e em 69% dos cânceres vaginais com vírus HPV. Na boca, laringe e pênis há também relação, mas menos direta. O tabagismo e maus hábitos de higiene facilitam a instalação da doença por interferir com a imunidade.
 
Na história da doença maligna causada por HPV, sabe-se que ocorreu contaminação muitos anos antes e, na maioria das vezes, é uma anormalidade silenciosa e detectada através de exames preventivos, exames de Papanicolau, com ou sem associação de colposcopia. O vírus HPV também pode causar só verrugas genitais, MAS, neste caso são sub-tipos não causadores de câncer.
 
Além do uso de camisinha e de evitar troca de parceiros, atualmente temos na medicina uma arma nova na guerra contra os principais HPV– AS VACINAS. Há uma vacina que protege só contra os tipos que causam câncer (bivalente) e outra que além desses,  protege também contra os sub-tipos causadores das verrugas genitais (quadrivalente).
 
As vacinas bivalentes e quadrivalentes estão indicadas oficialmente no Brasil, para as meninas e mulheres até 26 anos, para prevenção do câncer de colo de útero e só estão disponíveis na rede privada. Recentemente as vacinas quadrivalentes foram também indicadas para meninos e jovens na mesma faixa etária.
 
Como essas vacinas são onerosas e a vacinação exige três doses em 6 meses, a meu ver, a relação custo x benefício é maior na vacinação com a bivalente nas mulheres com menos que 26 anos. Como foi detectado outro pico de incidência de doença por HPV em mulheres maduras, em 2011, estudos europeus indicaram a importância da vacinação TAMBÉM PARA MULHERES DOS 24 – 45 ANOS, e nesse caso, novidade no Brasil, a vacina é a quadrivalente.
 
O momento de aplicação da vacina de HPV é um momento que utilizo para orientar a paciente que, mesmo sob proteção da vacina , precisa manter os controles ginecológicos de rotina e todos os cuidados na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis.
Carmem Helena Snel – CRM 13284
Especialista pela FEBRASGO em Ginecologia e Obstetrícia
Especialista pela Ulbra em Geriatria
Especialista em Acupuntura  Médica pelo CMBA