Vômito: atenção aos sinais de alerta

      O vômito é um sintoma muito comum em diversas doenças pediátricas. Os pais e cuidadores devem prestar atenção em todos os outros sinais e sintomas que o acompanham, pois são de fundamental importância na elaboração da hipótese diagnóstica pelo profissional de saúde. Sua associação com febre poderá estar relacionada a doenças infecciosas. A presença de vômitos matinais, associada a dor de cabeça, pode estar relacionada a doenças neurológicas que provocam aumento da pressão intracraniana (tumores, hidrocefalia). Nesses casos, pode haver modificação comportamental e alteração na marcha (dificuldade para caminhar). Pacientes que tiveram alguma cirurgia abdominal prévia, podem vomitar por aderências, que causam obstrução intestinal. Em bebês, o ganho de peso é um indicador muito importante na avaliação do paciente vomitador, assim como a história de irritabilidade ou sono agitado. A alergia alimentar (principalmente à proteína do leite de vaca) e o refluxo gastroesofágico patológico fazem parte do diagnóstico diferencial.
Há alguns sinais de alerta que devem ser observados e requerem avaliação do Pediatra com brevidade: vômitos amarelados ou esverdeados (biliosos), vômitos em jato, vômitos com início após o sexto mês de vida, diarreia ou constipação, febre, letargia (apatia), convulsões, dor de cabeça intensa, vômitos ou fezes com sangue, atraso no desenvolvimento, perda de peso.
Fazem parte do diagnóstico diferencial:
•    Causas infecciosas (gastroenterites, infecção urinária, hepatite, sepse (infecção generalizada)).
•    Neurológica (meningites, tumores cerebrais, hidrocefalia, sequela de asfixia neonatal)
•    Obstrução intestinal (estenose duodenal, duplicação ou má rotação intestinal, invaginação intestinal, bridas (aderências pós cirurgias).
•    Doenças metabólicas (fenilcetonúria, galactosemia).
•    Alergia ou intolerância alimentar (alergia à proteína do leite de vaca, doença celíaca).
•    Parasitoses.
•    Fibrose cística.
•    Estenose hipertrófica de piloro.
O vômito também pode ser provocado, como no caso da bulimia, onde há um transtorno alimentar. Muitas vezes está associada a depressão. Essa situação clínica, pode ser vista em adolescentes e em algumas crianças com uma preocupação exagerada com a imagem corporal e a necessidade de parecer magro.
Nem sempre o vômito é sinônimo de doença, o que pode se observar em bebês no primeiro ano de vida que apresentam um bom ganho de peso, sem desconforto ou doença respiratória associada. É o chamado refluxo fisiológico. Ocorre por imaturidade do esfíncter esofagiano inferior, que separa o esôfago do estômago. A melhora ocorre na medida que o bebê atinge a maturidade muscular. Nesses casos, medidas como elevação da cabeceira, evitar trocas de fraldas após mamadas, evitar roupas apertadas no abdome, entre outras, são recomendadas, não sendo necessário o uso de medicamento.
Vômitos de repetição, com início súbito e sem melhora com medicação via oral em casa, necessitam avaliação do seu médico. Muitas vezes, são necessários exames diagnósticos para esclarecer a sua origem.

DRA. JULIANA CRISTINA ELOI – CRM 024705
GASTROENTEROLOGIA PEDIATRICA